segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Edna, leve como uma borboleta


Conheci a Edna, sobrinha de uma sobrinha da minha avó, em novembro do ano de 2012.
Foi num dia em que fui visitar minha avó, e ela estava lá. Esse dia eu a conheci.
Ela nos contou o sofrimento pelo qual vinha passando desde 2007 ou 2008, não me lembro exatamente, devido a um câncer que começou inicialmente nas mamas, alastrando-se depois para os ossos, e para a cabeça.
Em novembro de 2012, ela já tinha, portanto, metástase, mas não parecia, pois ela tinha muita sede de viver, e dizia a todo tempo que não desistiria de lutar, e que Deus era com ela em todos os momentos.
A história da luta dela contra a doença tocou-me muito; sua personalidade era cativante, sincera e humilde, o carisma inexplicável dela inspirou-me em diversos aspectos, mas o que mais me tocou foi a fé e a persistência que ela tinha em ser curada totalmente, e ela não reclamou nem murmurou de seu problema um instante sequer.
Fiquei tão tocada e apaixonada por sua pessoa que a chamei para meu casamento, que aconteceria em dezembro daquele ano. Eu não sei bem explicar como, mas uma ligação se estabeleceu entre nós; ela também gostou muito de mim, e eu sequer tinha falado uma palavra do Evangelho a ela, que provavelmente soube que eu era evangélica quando teve conhecimento de que meu casamento seria na Primeira Igreja Batista, onde fiz a aliança com meu marido perante o Senhor e os homens.
Depois daquele dia, ela foi para outra cidade, e por um tempo não tive mais notícias dela, mas sempre me lembrava dela em oração, pedindo ao Senhor para que fosse curada.
Um tempo depois, já não sei quanto – perdi a noção dos meses entre todos esses fatos – soube que ela estava em Araçatuba para tratar do câncer aqui, e que tinha ido parar no hospital, por causa de uma recaída causada pelas quimioterapias, então fui visitá-la na Santa Casa. 
Aquele dia fiz uma oração para ela, li alguns trechos da Palavra. Um deles, que me recordo, foi este: “aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver alegre em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece.” (Filipenses 4:11-13). Além disso, clamei com muita fé por ela, pedindo ao Senhor que a curasse, que restaurasse sua saúde, com muita fé de que nada é impossível para Deus.
Quando voltei para casa, a partir deste dia, comecei a pedir ao Senhor que me revelasse se eu deveria orar pela sua cura, ou se não era da vontade do Senhor que ela fosse curada para esta vida, e sim para a eternidade. 
Confesso que o Senhor nunca me confirmou a resposta, o que me deixou um pouco triste. Eu só sabia o que nós, cristãos, sabemos que é válido para todos os enfermos que entregam a vida a Cristo: ou são curados completamente para a glória do seu Nome, a fim de que testemunhem a todos o milagre e levem mais almas a Deus, ou eles aceitam Jesus e recebem Cristo no Espírito, partindo em seguida, para viver com Ele: ou porque simplesmente é a vontade Dele que a pessoa esteja em sua presença naquele momento, ou como uma espécie de livramento de uma futura e certeira morte espiritual, melhor explicando: o Senhor sabe se no futuro determinada pessoa estará longe dele, em pecado, apatia espiritual, desviada dos seus caminhos, e a fim de livrá-la da morte espiritual, que nos impede de entrar no Reino dele, permite tais sofrimentos, deixando que a pessoa morra enquanto está de mãos dadas com ele, em Cristo, ao invés de perecer mais tarde, sem ele, que é a única esperança de salvação para todos nós.
Confesso que o Senhor nunca me respondeu isso, o que me deixou um pouco triste. Ela voltou para a cidade em que estava morando, e eu fiquei sem notícias dela por um tempo. No entanto, continuei orando, pedindo ao Senhor que a curasse completamente, se possível, sempre segundo sua vontade.
Algum tempo passou, até que novamente ela voltou a Araçatuba, para ficar um tempo na casa da tia. Eu e minha mãe fomos até lá visitá-la, e ela se queixava de muita dor de cabeça, pois tinha um tumor comprimindo o cérebro. Senti com muita angústia seu sofrimento; ela parecia estar perdendo forças, porém sem desistir da vida, jamais. Desta vez não oramos na presença dela, mas quando cheguei em casa clamei ao Senhor pela sua vida, chorando, porém novamente o Espírito Santo não confirmou o que viria a acontecer.
Eu fiquei muito transtornada, e em meu espírito comecei a testificar que não era da vontade do Senhor curá-la, mas em meu coração, desolada, eu mantinha uma esperança de que um milagre poderia acontecer, e continuei pedindo, todas as vezes, por não saber pelo que deveria orar especificamente, que Deus fizesse sua obra maravilhosa na vida dela, cumprindo sua vontade, que sempre é a melhor: boa, perfeita e agradável (Romanos 12:2).
Mais uma vez ela voltou para a casa de uma das filhas, em outra cidade, e ficou alguns meses lá. Eu sempre pensava nela, e sempre continuei a amando. Mesmo de longe, eu queria muito fazer algo por ela, e queria que o Senhor também fizesse, algo grande e maravilhoso, um milagre!
Então chegou o dia em que ela teve de voltar para retomar o tratamento aqui. Eu planejava visitá-la, mas nem foi preciso procurar a chance: numa quarta ou quinta-feira (dia 04 ou 05 de setembro de 2013) recebi uma ligação da minha mãe no meu trabalho, dizendo que a Edna estava internada na Santa Casa e queria muito me ver, e que havia sonhado várias vezes comigo aquela semana.
Pensei no pior e fiquei muito triste. Então tirei uma hora do serviço para visitá-la, às pressas.
Minha mãe foi me buscar de carro e, no caminho, rompi em lágrimas dizendo: eu queria tanto que ela fosse curada, que ela não morresse; chorei como uma criança, mas durou só um pouco o choro.
Quando entrei no quarto, tentei, no pouco tempo que me deixaram vê-la, passar todo o meu amor a ela, orei de uma forma curta e simples, segurando sua mão: “Jesus, cuida dela, cuida mesmo Pai... esteja com ela aqui Pai, a todo instante, cura Senhor... não a deixe sozinha Pai; Jesus, meu Deus, cuida da Edna, que o Senhor tanto ama, em nome de Jesus”, - coisas simples assim, ditas com o coração, foram minha oração naquele instante.
Novamente voltei para casa, e meu pensamento não deixava a Edna. Planejei voltar no fim de semana para orar mais tempo com ela, fazer uma visita mais comprida, passar mais tempo com ela. Infelizmente, não deu para ser assim. Recebi outra ligação da minha mãe, quando estava na casa da minha sogra, em Guararapes, e ela disse que a Edna estava muito mal e os médicos haviam dito que ela não passaria daquele dia.
Eu já havia pensado em levar a Eloisa, minha líder de célula, para vê-la junto comigo, pois ela é uma mulher de oração e com muita experiência como missionária e no pregar da Palavra.
Então eu e meu marido fomos buscá-la para que ela fosse também visitar a Edna.
Chegando lá, recebemos a notícia de que ela já estava agonizando. Subimos assim que pudemos, pois a visita só era permitida de duas em duas pessoas. Subimos ansiosas, e, chegando lá, ela estava agonizando mesmo, com os olhos fechados/virados, a boca aberta, ofegando de uma forma terrível, sufocante!
A enfermeira disse: “nem tentem falar com ela, pois ela não responde mais, nem escuta mais”! Então começamos a conversar com ela, pedindo que ela ouvisse atentamente e respondesse em pensamento tudo que iríamos falar...
Começamos a orar para que ela recebesse Jesus como seu Único e Suficiente Salvador, pela sua purificação, pelo perdão dos seus pecados, dizendo a ela que agora todo seu passado e todas as transgressões antigas tinham ficado para trás; oramos para que ela liberasse perdão: “eu perdoo agora todos meus inimigos, aqueles que me prejudicaram, libero meu perdão”. Dissemos a ela o quanto Deus a amava e que Ele a queria com ele, e que ela fosse começando a conversar com Jesus e o aceitasse em seu coração, que começasse a olhar para Ele...
Foi quando, nesse momento, o Espírito Santo nos deu um sinal: chego a chorar ao escrever! Ah Senhor! Quando dissemos que ela olhasse para Jesus e começasse a conversar com Ele, ela sorriu, mesmo sem nos enxergar, mesmo ofegando como estava, com o corpo e mente alheios a este mundo, ela sorriu! Ela estava tendo seu encontro com o Senhor, o Rei das nossas vidas, Jesus, o Príncipe da paz!
Conforme nós íamos orando, o ofegar dela diminuiu e quase parou, seu corpo se acalmou, e pedimos que o Senhor fosse passando seu óleo sobre o corpo dela, para que ela não sentisse dor. Cantamos louvores para ela, e estou certa de que os anjos cantaram junto, nos ouvidos espirituais que lhe foram sendo abertos.
Choramos, cantamos, falamos em línguas estranhas, e assim o Espírito Santo orou também por ela, com gemidos inexprimíveis.
Então tivemos de descer para que as pessoas mais próximas da família pudessem se despedir, e infelizmente depois eu soube que ela voltou a ofegar e agonizar. Gostaria muito de ter ficado ao seu lado até o último suspiro.
Enfim, chorei muito durante a tardezinha, e no outro dia, pela manhã, vim a saber que ela havia falecido meia-noite. Meu coração doeu ao imaginar que ela tivesse ficado tanto tempo (das 16h à meia-noite) sofrendo.
Queria muito que ela tivesse ficado conosco, meu egoísmo me leva a ter essa tristeza, ao querê-la viva aqui, mas o Senhor deu sinais suficientes de que ela foi salva, remida pelo seu sangue, e de que ela se encontra em sua presença neste momento.
Ah, como eu sofri com a morte da Edna! Estou chorando ainda agora, enquanto escrevo.
Porém, o Espírito do Soberano Senhor testifica em meu espírito que ela viveu todo esse tempo com esta doença terrível apenas para que chegasse esse dia: o dia do encontro dela com Ele, um dia em que o mundo terreno pareceu fantasia perto da realidade do mundo espiritual (e de fato é assim mesmo), um dia de perdão, de entrega total, de decisão, de obra maravilhosa do Senhor sendo feita.
Pois é, talvez se não fosse assim, ela não teria encontrado o Senhor! Não entendo os teus caminhos Jesus, não entendo o porquê de tudo ter acontecido assim, mas eu sei que o Senhor operou maravilhosamente naquele dia, e que nossa oração ajudou a levá-la diretamente para os teus braços.
Por isso eu te agradeço e te adoro, mesmo nas tristezas, porque tua vontade é a melhor, teu poder é soberano, teu amor é insondável, e sei que o Senhor está também me moldando com essas experiências.
Até mesmo agora há pouco, enquanto tomava banho, pude ver o seu carinho por mim, ao me pedir: “não adoeça, filha, pelo meu amor, com que te amo, não adoeça, seja forte, tenho muito trabalho para você. Eu nunca disse que vocês não teriam aflições, mas que eu estaria perto para consolar. Você sofre pela ausência dela, mas ela está aqui comigo, e vocês estão separadas temporariamente. Haverá um dia em que se reencontrarão. Seja forte”. 

Eis que no dia do seu velório, depois de ter saído de lá, eu tive uma visão: vi a Edna bem mais jovem, sem inchaços, usando um vestido verde, chegando junto ao trono de Deus, com uma borboleta azul dentro de uma redoma nas mãos.

Quando ela se dirigiu àquele que estava assentado no trono, a borboleta azul saiu voando para fora da redoma, e ela sorriu. Só entendi o significado desta visão quando me entregaram a foto que está lá em cima, homenagem que sua família fez. Suba e observe novamente! 

Eu te agradeço por tudo, Senhor, e por ter colocado a Edna em minha vida!
Continua cuidando dela, que agora está leve como uma borboleta, em tua presença...